Cais das lembranças
(OlhosDe£in¢e)
Interpretação:Astir *Carr
Absorta à beira do cais,
refaço a trilha da vida,
que me conduziu em subidas
e em descidas de colinas verdejantes,
por muitas vezes,
em valas escuras da decepção.
Fixo o olhar no horizonte da vida,
procurando avistar o arco-íris,
que me leve a alcançar o pote da serenidade...
Em silêncio,
amparada pelas lembranças,
revejo em postura estática,
cenas demoradas de momentos vividos:
em ciclones de paixões,
em alegrias que enfeitaram o meu coração,
em relacionamentos mistificados
que ingenuamente deixei-me envolver,
pensando estar vivendo
a felicidade procurada...
Revejo também,
os sonhos delineados,
que ainda esperam enfileirados
na correnteza da vida,
o momento da concretização...
No vazio do coração,
sinto as perdas queridas,
que hoje,
são substituídas por buquês de saudades.
Em meu olhar,
que flutua sobre a imensidão do mar,
existe ainda a crença na verdade,
na justiça do Pai Supremo,
na pureza do bem e no amor límpido,
aquele amor que abraça
os sentimentos espontâneos,
em chuvas de carinhos,
fazendo -me acreditar,
que a esperança existe e
que os sonhos não devem morrer...
Eles são alimentos,
para os que vivem agasalhados no amor.
Curitiba, 25 de fevereiro de 2007
Às 15h20
Poema participante da "Ciranda Cais".
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