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Há um espaço especial que
ocupa o universo virtual e que aos meus olhos descortina-se como
uma cidade.
Cidade essa que, ao longo de minhas andanças virtuais, continua
abrindo cortinas em que se apresentam emoções nas mais diversas
áreas do sentimento, mais precisamente alegrias e algumas
tristezas chamuscadas por decepções muito mais fortes do que na
vida real. Nessa cidade, usa-se primordialmente o coração e a
alma, pois não temos o olho no olho, mas sim letras que expõem a
essência de cada presença que se encontra nas vias virtuais.
Na cidade virtual, quem é do bem expõe a sua alma em completa
transparência. Esquece que neste espaço, também existem a
maldade, a inveja, a hipocrisia, a soberba e muito outros
substantivos pertencentes à família do mal. Mas o bom das
andanças virtuais é que se aprende constantemente com os
deslizes, com a ingenuidade e, principalmente, com os
sentimentos do amor e amizade, a encontrar a rua infinita do
bem-estar, da satisfação e do carinho verdadeiro.
Muitas vezes, ficamos perplexos ao saber que a presença de quem
pensávamos ser amiga, faz suas teias, distribuindo atitudes
felinas na sombra do pvt, alimentado por seus semelhantes.
Depois de experimentar a dor de grandes feridas, que cicatrizam
adormecendo as mágoas aprende-se diferenciar a presença de quem
veio para somar boas amizades e bons conhecimentos culturais.
Os anos de convivência virtual ensinam-nos a entender o porquê
de encontrarmos uma presença, de trocarmos alguns comentários e
de repente ela se dispersa. É presença que não afina com nossa
alma e que na verdade está em busca de outros caminhos.
Aprendi também a caminhar pelas ruas virtuais apreciando as
vitrines, em que excelentes sites divulgam a sua performance nos
mais variados estilos, na área poética e cultural. Há poetas e
formatadores que se esmeram na criatividade e qualidade em seus
recantos, levando ao leitor um mundo encantado de desfrute
poético, em que se fica horas a vasculhar seus cômodos para o
deleite da boa leitura.
Em cada rua, em cada esquina que se dobra, há sempre um novo
cantinho despertando o interesse do nosso olhar. Caminhamos no
infinito e acabamos encontrando presença nos mais variados
países. A distância geográfica no virtual não existe, as
bandeiras de variadas cores fazem par com a nossa e as
diferenças culturais são acréscimos ao nosso conhecimento.
A cidade virtual nos leva a caminhar e também, em determinados
momentos, a flutuar construindo sonhos e recolhendo pérolas,
formando um bonito colar de amigos preciosos.
Depois de um certo tempo, compreendemos que o mundo virtual é
composto de bem e de mal; que o bem, a gente abraça, e que o
mal, a gente abomina.
A cidade virtual faz do seu espaço um mundo de presenças que
brilham naturalmente ou que se tornam breu por suas próprias
ações.
Quem consegue entender esta química virtual tem sorriso feliz,
luz no olhar e paz para transitar nas ruas dessa metrópole.
Balneário Camboriu, 22 de julho de 2010,
às 23h50.
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