|
Texto de opinião
Com a palavra o coração...
(OlhosDe£in¢e)
Eu coração declaro:
Em minhas vestes em que o amor é meu tecido, encontro-me de frente com
o amor fraternal, o amor carnal, o amor solitário (conhecido como
platônico) e o amor dos apaixonados.
Sou de formato lindo e suave, de cor quente e vibrante, tenho pulsações
cadenciadas para cada tipo de amor. Abrigo em meus compartimentos, os
mais tocantes e exuberantes amores. Recebo um sinal que me avisa qual o
amor que me visita.
- Quando ouço o sino do amor em um badalar melodioso... é o amor
fraternal que me visita. Esse amor acolho com carinho e me proponho a
aquecê-lo com o amor amigo, solidário é o amor fraterno e universal. O
carinho se espalha pelos gestos e pelas palavras enfeitadas de mesuras e
bem-querer.
- Quando ouço uma escala musical em gemidos, em uis, em ais, em suspiros
demorados, sei que o amor que me visita é caliente, que terei momentos
que poderão prolongarem-se por um grande período de desejos. Estarei
entre fetiches de paixão que me farão viver em cordilheiras de orgasmos
em subidas e descidas que só terminarão com a exaustão de corpos
molhados, aliviados e saciados, encerrando por momentos a luta pelo
desejo.
- Quando ouço um lamento em acordes sinfônicos, sei que recebo o amor
solitário(platônico) que me visita. A sala que o recebo é quase sem luz,
as flores são de nuances tristes, os pássaros não gorjeiam em sua
janela, existe apenas sonhos a bailar na esperança de abraçar este amor
sem eco.
- Quando ouço uma escala suave com trinados em pianinho, em que sinos
badalam em sinfonia lembrando os querubins é o amor em sua essência
completa, aquele que une o fraterno, o carnal e o apaixonado, resultando
no amor do querer, aquele que vive-se em flores de aromas suaves, de
cumplicidade, de respeito, de desejos, de sonatas de orgasmos, de
compreensão de carinhos e de sensações apaixonadas, onde o limite de
amar, não existe, o querer é infinito.
Eu coração, recebo todos os amores, mas uso do direito de escolher o que
permanecerá no compartimento mais bonito de minha morada para continuar
na eternidade da alma.
Campo Grande, 28 de junho de 2006.
|