Texto de opinião
Contemplação d'alma
Marilda Diorio (OlhosDe£in¢e)
Interpretação:Astir
*Carr
Posto-me imaginariamente na soleira da montanha, entre verdes, flores e riacho. No silêncio da bela cena contemplo com a alma a natureza esplêndida imaginando como seria o mundo se o praticar e o distribuir o bem fossem assumidos por todos. O mundo seria mais luminoso e os sorrisos mais constantes. A paz descansaria na alma e o viver seria um continuar de amor e esperança
Infelizmente há um buraco negro, depositário de almas sem luz, que apenas expelem purpurinas para dissimular o negrume da alma.
O crescer criativo e as invenções tecnológicas nos beneficiam a chegar mais rápido ao universo, contatando presenças dos quatro cantos do mundo. Ficamos eufóricos e felizes com esta possibilidade e vamos ascendendo em conhecimento cultural, técnico e poético, animando-nos a entrelaçar almas amigas, muitas vezes abraçando simbolicamente amigos distantes e fazendo brilhar a luz da amizade. Esquecemos, no entanto, que a razão existe e nem cogitamos que o entrelace das almas nem sempre é duradouro e que os arranhões provocam dor e decepção, rompendo os grilhões da amizade.
Nem toda luz da amizade permanece acesa assim como chegou. Há, em sua maioria, luzes que vão diminuindo com o passar dos dias, perdem o brilho; e o mal atinge com seta certeira a ingenuidade dos que não vêem maldade em seu semelhante e acreditam que as amizades são modeladas e cuidadas com carinho; e, por isso, as julgam eternas.
A beleza magnífica da vida que aprendemos a admirar não é a mesma beleza que pensamos encontrar nas pessoas que se aproximam e se infiltram de maneira ardilosa em nossa vida.
De repente acordamos de um estágio de quimera e confiança para aterrissar no banhado da tristeza e da decepção.
A tristeza invade a nossa alma e nubla o amanhã, dissipando a esperança de crença no ser humano.
Com estes acontecimentos que ferem e deixam cicatrizes no coração e na alma, acorda-se para a realidade ouvindo a razão, buscando o tempo necessário para amortecer a tristeza e retornar à vida normal com o olhar da alma mais silencioso, mais observador e mais penetrante, assim como o admirável Lince.
Curitiba, 20 de março de 2010,
às 4h20
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