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Uma Quase Confissão...
(Cosmo Palasio de Moraes Jr.)
São estas portas que não se abrem
Estes dias que não amanhecem
Esta vida que não chega
Todos estes sonhos que não se tornam realidade.
São estas noites sem amor
Estes dias sem vida
Estas tardes sem sol
Este tempo nebuloso
O tempo todo dentro de mim.
São estas datas sem festas
E esta vida cada vez mais sem datas
Este carinho só de mão
Este calor só de pele
E a falta de resposta para todos os gritos
Todas as palavras
A falta de resposta para a minha fé.
São estes dias sem amanhã
Estes amanhãs sem ontem
Esta ausência total de história
De momentos
De segundos que fossem...
São estas mãos quase frias
Estes olhos quase sem esperança
Esta respiração cada vez mais difícil
Forçada e buscada sem razões.
Eu não sei para onde vou
Não há um colo
Um abraço
Um sonho onde possa me guardar
E toda a solidão do mundo
Cabe dentro de um coração
E toda tristeza da terra
Mora em minha alma.
São estes caminhos sem chegada
Todos meus portos vazios
E do meu farol nada se avista
Que não seja imensidão
Dos que nada tem
Dos que não recebem visitas
No seu intimo.
E este olhar para flores
Não com olhos de menino apaixonado
Mas com desejos de velho cansado.
Eu não sei mais quem sou
O que me move
Porque como, bebo ou respiro.
A vida é uma seqüência de números
Minutos, dias e obrigações
E eu subo e desço
Como um velho monjolo
Cuja água nada lhe diz.
Não queria que fosse assim
Deveria haver em mim
Um lugar de saudades
Um penhasco diante da esperança
Algo da insanidade jovem
Um pouco da infantil inocência.
Mas tudo que tenho são medos
E a minha sombra
Se encanta com todas as coisas escuras
Que sinto, mas não posso tocar.
28/05/2004
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